• A fila andou…!

    Postado 12 junho, 2013 por em Artigos

    Tinha acabado de entrar no shopping e, como que passeando, estava olhando todas as vitrines e tomando consciência da infinidade de coisa que eu NÃO preciso para ser feliz. Passeando e tomando uma casquinha de baunilha e pensando na vida. Eles caminhavam à minha frente. Também devagar. Ela com um short  jeans todo furado e uma botina que parecia botina de segurança de ajudante de pedreiro. Cabelo nas cores lilás e branco. Uma camisa xadrez vermelha e preto e um casaquinho negro por cima de tudo isto. Brincos que mais pareciam bigornas… em tamanho natural. Ele com calça preta, cabelo engomado, preto, camiseta preta, blusa preta, botina preta e… é… a coisa tava preta pra ele também. Estavam discutindo a relação. Ele dizia que não havia nada demais e ela afirmava que “a fila andou”. Eu, do alto da minha universal ignorância, fiquei meio que perdido. “A fila andou”? Caramba! Nós nem estávamos em ponto de ônibus, nem em supermercado, nem em banco nem nada. Eu nem mesmo estava prestando atenção na conversa deles, posto que, finalmente, encontrei meu nirvana dentro do shopping: “A LIVRARIA”.

    Ao falar “A fila andou” parei por um momento e encompridei o ouvido tentando entender a conversa

    -Ah! Eloy! Como você foi mal educado ao ficar prestando atenção na conversa alheia!
    -Está bem! Peço desculpas mas, não pude resistir a ouvi-los por mais uns dois minutos.
    Ela dizendo que não dava mais. Que eles não se achavam no mesmo patamar de vontades. E ele, com voz chorosa pedindo para tentar mais uma vez, e, insistindo para pegar na mão dela.

    Só então eu entendi o que significava a expressão “A fila andou”. Ela estava acabando com o relacionamento entre eles e estava passando-o (ou passando-se) para outra pessoa. Como se um relacionamento amoroso fosse algo tão simples quanto trocar de camisa ou escovar os dentes.

    Depois disto, procurando aqui pela internet, vi que está cada vez mais “fácil” fazer a “fila andar”. Estamos descompromissando-nos das responsabilidades muito rapidamente. Sem dar real chance de que realmente ela possa criar raízes. Vingar, como diria minha avó.

    Se isto está ocorrendo na vida particular das pessoas, que, queiramos ou não é infinitamente mais importante que a vida profissional, o que então pode estar ocorrendo na vida profissional?

    Funcionários que não estão nem aí se as empresas geram lucro ou prejuízo devem ser milhares (ou milhões?). São estes mesmos “funcionários” (na realidade são inimigos da empresa) que, após serem demitidos, assumem sua inimizade ao trabalho e “descem o cacete” na empresa. Que pagam uma miséria. Que só tem “panelinha” lá dentro. Que não valorizam o esforço etc e tal. Mas ele trabalhou (na realidade enrolou) ali por mais de dez anos.
    Não estou aqui dizendo que não existem empresas deste tipo. Não mesmo. Mas, se você não teve competência para escolher a empresa em que deu dez anos de sua vida profissional, tem competência para que? Estas empresas, com o passar do tempo são filtradas pelo próprio mercado. Mais cedo ou mais tarde serão esquecidas no ralo do esgoto da história. Mas boas empresas, que se preocupam com os benefícios honestos que possam produzir, geralmente,  são marcadas indelevelmente naquilo que mais importa: o coração e alma das pessoas. Na empresa em que você trabalha, faça o teu melhor. Demonstre o teu melhor. Se te pedem 10 faça 15. Chegue 10 minutos antes e saia 10 minutos depois. Se a empresa não reconhecer seus esforços, não se preocupe. A concorrência verá em você um bom funcionário e, mais cedo ou mais tarde, você será reconhecido.
    O que não pode acontecer é você trocar de emprego sem tentar todas as alternativas possíveis para que seja, naquela empresa, muito bem sucedido naquilo que você se propõe a fazer. Ou seja: Sem que tenha exaurido todos os recursos disponíveis para isto.

    A vida só pode ser uma sucessão de sucessos que se sucedem sucessivamente sem cessar. Se assim não for, tem algo errado. Os insucessos fazem parte da vida mas, tanto quanto possível, devem ser evitados e, quando não evitados, tem que servir como lição. Como um degrau no aprendizado. Não importa se foi na empresa ou na casa da namorada. No cinema ou no mercado. A cada dia, a cada instante a vida nos apresenta a FILA DE ENSINAMENTOS. Estão todos aí. Na nossa frente. Podemos toca-los e senti-los. Só não podemos postergar o aprendizado. Não devemos ficar trocando de fila na vida para tentar aprender mais rapidamente. Mais cedo colher os frutos do sucesso. Os frutos da nossa felicidade.

    E a tua fila? Andou e te deixou mais perto da felicidade ou você está pulando de fila em fila?
    De emprego em emprego? De objetivo a objetivo?

    Talvez a felicidade que você tanto procura, estivesse na fila anterior que você acabou de sair e… andou!

4 Responses to A fila andou…!

  1. Borges says:

    Eloy
    Um dos livros de cabeceira do Comandante Rolim enquanto vivo, era a biografia de Napoleão Bonaparte que, dizia em uma de suas passagens, exatamente o que você diz em seu artigo: Só ganha a guerra quem lutar por mais 5 minutos.
    Conheço milhares de pessoas sem nenhum comprometimento com suas empresas, totalmente escravos de seus horários e que só se preocupam com seu direitos.
    Esses mudam de fila. Não sabem qual fila escolher.
    Mudam tanto que acho que até hoje não sabem onde querem ir.
    E quem não sabe para onde quer ir, não chega a lugar nenhum.
    Grande abraço, meu conterrâneo !
    Parabéns por mais esse seu belo artigo !

    • Eloy Souza says:

      Penso exatamente desta maneira, caro Borges!
      Como desistir da vitória no meio da batalha?
      Conhecemos um vencedor que tenha desistido da luta antes do final?
      Não falo em “teimar”. Em morrer lutando. Dando murro em ponta de faca.
      O que eu falo é: faça o possível para dar certo.
      Que seja queimado até o último cartucho para, aí sim, se não atingir
      o objetivo, mudar de fila. De empresa. De casamento. De país…!

      Muito obrigado por sua leitura e comentário!

  2. Sonia Salim says:

    A fila andou, Eloy, eu já completei meu tempo de serviço e achei melhor sair dela. Hoje estou aqui na outra fila em que podemos comunicar uns com os outros de forma rápida, sem barreiras de tempo e espaço. Eu digo que fico ‘vendendo ilusões’ e isso é muito gratificante. Eu penso que a pessoa deve investir tudo naquilo que preenche a alma. Quando o coração não estiver mais feliz, dependendo da situação, deve trocar de fila enquanto houver tempo.

    Abraços! Sonia

    • Eloy Souza says:

      Bom dia Sonia!
      Como eu disse, cumprindo com o nosso dever e exaurindo todas as possibilidades de sucesso temos sim que “mudar de fila”.
      O que ocorre hoje é que, na maior parte das vezes, nem esperamos “esquentar o banco” e já mudamos de fila.
      Se no comportamento pessoal estamos, como sociedade organizada, cada vez mais descompromissados, no profissional então
      é praticamente “moda” ficar pulando de empresa para empresa (mudando de fila).
      Novamente Sonia, muito obrigado pela sua leitura e comentário!

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