
Manhã capenga. O galo canta ao longe. Lá para trás do teatro ou para os lados da casa da Dona Tercília Moreira? Talvez lá para os lados da casa da Dona Áurea Marques? No final da rua? Não consigo discernir de onde vem, mas sei que está na hora de começar a pensar em levantar. O cérebro dita as regras, mas não dota o corpo da vontade. O cérebro manda. Mas o corpo… ah… o corpo torna-se manhoso. Renitente. Preguiçoso. Quem vencerá a “Luta do Século”? Cérebro ou corpo?
Façam suas apostas! O cérebro, aos dez minutos do assalto único leva o corpo ao nocaute: Tua mãe levantou e está vindo em direção à porta do teu quarto. Você conhece os passos. O “schlap-schlap” das sandálias Havaianas (as que não soltam as tiras) é inconfundível. O cérebro vence. O corpo espreguiça-se mais uma vez (quantas até agora? Três ou quatro?) e, finalmente, numa velocidade comparada a um jabuti bêbado vira-se e começa a levantar. O dia finalmente vai começar. Que maravilha poder levantar. Que maravilha poder saber que minha família está toda aqui. Todos os que amo estão perto.
Hoje é somente o primeiro dia do resto da minha vida. Tenho, já neste momento, muitas e “grandes” preocupações. O café, com açúcar ou adoçante, ou o achocolatado? A camisa azul de mangas compridas ou a preta de mangas curtas? E qual calça? Acho que a “calça Lee” azul ficará bem. Tênis ou sapato! O tênis vence por um simples, mas crucial, detalhe: está limpo.
Mas, entre todas estas “grandes” preocupações a maior neste momento é, saber se vou à missa pela Av. Independência em uma distância maior em 200 metros, onde talvez possa encontrá-la, ou pela Rua Santos Dumont (hoje Avenida José Manoel dos Reis) que é mais perto, porém a possibilidade de vê-la é bastante mais restrita? Afinal faz dois dias que não a vejo. Ela não foi à piscina, também conhecida como CRB, e nem estava na Boot’s ontem à noite.
O coração não aguenta mais tanta ansiedade. Decido então ir pela Avenida Independência e assim começa mais um dia. Começa mais um domingo. Começo a preencher minha alma com todas as saudades que o futuro irá me cobrar. Começo a viver agora. Com o cantar de um galo perdido no tempo.
E você? O que você está fazendo, hoje, para que tenha saudades no futuro? Está realmente vivendo o seu presente ou está preso ao passado? Está fazendo com que valha a pena viver o hoje para ter saudades futuras? Está, profissionalmente, fazendo o que gosta ou está somente cumprindo horário para poder levar o pão nosso de cada dia pra casa? Está evoluindo ou… vegetando?
Parabéns pelo texto, Eloy.
Nos faz refletir sobre como aproveitar o tempo!
Excelente artigo Prof Eloy Ribeiro de Souza ! Realmente devemos fazer do nosso HOJE a nossa saudade no FUTURO ! Tanto na nossa vida particular qto. na profissional.
Que belo texto amigo, e é verdade, o que estamos fazendo agora, para depois termos lembranças tão felizes? Essa é uma pergunta que jamais deveria ser esquecida por todos nós!
Parabéns !
Lindo texto ….me vi em Bela Vista do Paraiso.
Abraços.