• Pituíca & Brasa, à procura da felicidade !

    Postado 8 julho, 2015 por em Artigos

    Quatro e meia de uma tarde nublada e friorenta em Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná.Fazendo HUMANOS mais felizes
    Em minha caminhada vespertina na Av. Paraná, quase chegando ao cruzamento, vindo da Receita Federal em direção ao centro da cidade, com a Rua Duque de Caxias, ouço um rosnado-miado estranho vindo do matagal, logo após a Delegacia da Policia Civil.
    Um tanto quanto assustado, aproximo-me e vejo uma gatinha, já bastante maltratada, deitada e me olhando com cara de desconfiada.
    Muito devagar, vou me aproximando e sento-me a um metro de distância mais ou menos.
    Fico olhando para ela e, falando com a voz mais suave que posso, vou me aproximando bem devagar. Levo uns 10 minutos até poder toca-la sem a possibilidade de ser mordido ou arranhado. Com mais uns 15 minutos, já a tenho sobre a minha perna.
    Os meus “colegas de caminhada” passam e fazem menção de parar. Eu peço a eles para continuarem caminhando. Que vou tentar leva-la a um amigo veterinário e ver se há condições de salvá-la.
    Já por volta de cinco da tarde, ergo-me vagarosamente com ela ainda nos braços e começo a caminhar em direção à Av. Republica Argentina, onde um veterinário amigo meu, poderá cuidar melhor dela.
    Ao chegar à clinica, ele vem me receber e, bem devagar, porém com muito mais precisão do que eu, recolhe a gatinha de meus braços e começa a falar com ela de forma bem suave.
    Ele a chama de Pituíca, devido ao tamanho dela. Leva-a para uma sala toda branca e com um pouco de ração em uma mão, vai acalmando-a e alimentando-a.
    Ele me diz que ele deve estar com vermes e que, antes de tudo vai deixa-la em observação até a manhã do dia seguinte.
    Pergunta-me, então, o nome dela e quem é o responsável por ela.
    - O nome dela é Pituíca e o responsável por ela é, agora, somos nós dois.
    Ele ri e diz:
    - La vamos nós de novo né?
    Solto uma gargalhada e lembro-me do que aconteceu um ano antes.
    Um episódio muito parecido com o da Pituíca, mas, em vez de gata, com uma cachorrinha prenhe que encontrei perdida e levei, também, para ele. Demos-lhe o nome de Brasa, pois ela parecia queimar em nossas mãos de tão excitada que ficava quando a acariciávamos. Para resumir a história: A Brasa deu à luz a 5 filhotes e nós tivemos que sair pedindo aos amigos para adota-los. Foi, literalmente, um PARTO a história da cachorrinha Brasa.
    Voltando à gata Pituíca !
    No dia seguinte, logo após o almoço, fui até à clinica ver como a Pituíca estava se comportando.
    - Ela passou bem esta noite. Dormiu bastante. Não foi agressiva. Alimentou-se direitinho.
    Vou fazer alguns exames com ela e, creio que dentro de uma ou duas semanas, você já poderá leva-la pra casa!
    - Hã? Eu moro em apartamento. Nunca tive gata. Nem sei como fazer.
    - Então vamos fazer o quê com ela?
    Olhamos um para o outro e caímos na risada.
    - Vamos tentar achar um lar que a adote.
    - De novo você me fazendo ser bonzinho né?
    E assim foi!
    Porém, dez dias depois, o Antonio Barbosa, funcionário da Itaipu Binacional, ao passar pela clinica, viu a Pituica e perguntou se estava à venda.
    Meu amigo veterinário NUNCA VENDEU animais e disse-lhe que a Pituíca NÃO estava à venda.
    O Antonio contou então a história de que sua filhinha Mafalda, de 8 anos, andava triste sem razão aparente, e que a médica disse-lhe que, talvez, um animalzinho de estimação, pudesse fazer –lhe bem.
    Meu amigo veterinário confirmou que a Pituíca não estava à venda mas que, se o Antonio se comprometesse em trata-la MUITO BEM e que a trouxesse uma vez a cada seis meses para fazer exames de rotina, poderia “doa-la” sem nenhum custo além dos exames semestrais.
    Imediatamente o Antonio aceitou e levou a Pituica embora.
    Algumas semanas após, o Antonio voltou à clinica e comentou que a Pituica estava muito bem e que a Mafalda tinha voltado a sorrir. Inclusive dormiam juntas e a Pituíca estava aprendendo a falar. Coisa que, só quem gosta muito de animais, compreende isto.
    O Antonio comentou, com alguns amigos no clube que frequentava, como a Mafalda estava se recuperando rapidamente e como foi que conseguiu trazer a Pituica (que ele havia mantido o nome) para casa. Falou sobre a Clinica e o atendimento que meu amigo veterinário havia dado.
    Depois disto, alguns amigos que também tinham animais de estimação, de gato a peixinho dourado, de iguana a papagaio, começaram a procurar a clinica que o Antonio tão bem falava.
    No mês, passado, junho de 2015, completou um ano deste fato.
    Nestes últimos doze meses, o atendimento na clinica cresceu 42% em número de animais atendidos e o faturamento triplicou de valor. Mais de 85% dos novos clientes são moradores nas circunvizinhanças da residência onde a Pituica vive, ou seja, a propaganda gratuita que está sendo feita, está trazendo excelentes resultados para a clinica. Foram contratados mais dois médicos veterinários e 5 funcionários, entre atendentes, administrativos e higienização.
    Conversando ontem à noite, dia 05 de julho, com este meu amigo, lembramos da história da Pituíca e a “sorte” que ela trouxe a todos que com ela se envolveram.
    A Mafalda está feliz da vida, assim como seus pais estão por tê-la alegre sempre.
    Meu amigo, com o crescimento dos negócios, já está pensando em abrir uma nova unidade de atendimento no outro lado da cidade, que, por sua vez, demandará mais mão de obra,mais geração de emprego, mais renda, mais impostos e mais felicidade a quem possui animais de estimação.
    Esta história deve ter acontecido milhares de vezes na história da humanidade, ou seja, um animal de estimação trazendo felicidade a humanos.
    Se você empresário quiser de alguma forma “trazer a sociedade consumidora do seu produto” para dentro da sua empresa, pense em FAZER AÇÃO SOLIDARIA com algo que cative esta mesma sociedade.
    Não se faz necessário ser uma ação especifica (como no caso da Pituíca e da Brasa, com uma clinica veterinária) dos seus produtos.
    Se o teu segmento de mercado é o de construção civil, por exemplo, inicie uma ação solidaria junto à população para, por exemplo, doação de livros. A cada milheiro de tijolos vendidos, ou a cada duas caixas com azulejos, ou a cada escada de alumínio vendida, serão doados livros para as escolas municipais.
    Se você trabalha no segmento de alimentos, além de, logicamente, colaborar para um cardápio mais elaborado para pacientes em hospitais ou escolas, por exemplo, a cada tal quantidade de produtos, o cliente preencherá um cupom com um nome de uma escola do município que, ao final do ano, será sorteado, entre as escolas, um laboratório de informática.
    E assim por diante.
    Há mil possibilidades de participação solidária, independentemente dos governantes cumprirem ou não com suas obrigações básicas, quanto à saúde, educação e segurança.
    Quantas Pituícas e Brasas ainda temos por aí, somente esperando uma ajuda para fazer as MAFaldas da vida darem uma ampla, vigorosa e feliz gargalhada?
    Pense à respeito !

One Response to Pituíca & Brasa, à procura da felicidade !

  1. Neusa Picareli says:

    Que lindo artigo…. Quanta sensibilidade, sua Prof. Eloy e de seu amigo veterinário….! Emocionante história ….
    Realmente, “Há mil possibilidades de participação solidária, independentemente dos governantes cumprirem ou não com suas obrigações básicas, quanto à saúde, educação e segurança.”
    Vamos fazer valer nossa solidariedade para as Pituícas e Brasas desse nosso sofrido País, tão maltratado pelos governantes !
    Solidariedade GERA Solidariedade, e de repente faremos uma grande corrente, transformando (como você sempre diz Prof. Eloy) Nosso País NUMA GRANDE NAÇÃO !
    Abs.

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