• Fui apenas mais um…!

    Postado 3 junho, 2013 por em Artigos

    Empresários brasileiros, de forma geral, tem a mania de achar que, se o
    seu produto não vende a culpa é do consumidor. Ledo engano.
    Se o teu produto não vende e o do teu concorrente vende, creia em mim a culpa é sua.
    Exemplo, Eloy. Dê-me um exemplo disto que afirmas e, talvez, eu concorde com você.

    OK. Preclaro humano. Vou te dar um exemplo.

    Hoje é dia 1º de junho de 2013. Estou em Foz do Iguaçu, maravilhosa terra com atrações naturais  indizíveis e o segundo maior polo turístico do Brasil. Chove muito desde ontem.
    Agora são 13:30h e acabei de chegar de almoçar num aconchegante restaurante. Pequeno e com uma saborosa comida. Temperada na medida certa e com meninas que te atendem da melhor forma possível.
    Localizado ali na Rua Xavier da Silva no bairro Maracanã.
    Mas (e quem me conhece sabe que eu odeio esta palavrinha: MAS ) devido a estas diferenciações, o seu (dele) público foi aumentando e, hoje,por exemplo, fiquei mais de 30 minutos numa fila quilométrica. Havia somente um “Buffet” para servir a todas as pessoas.  Mesmo neste “Buffet” a comida fica exposta e as pessoas conversando e “perdigotando”  (acabei de inventar este palavra)sobre ela, ou seja, a comida já vem “cuspida” para o seu prato. Na fila, tive o desprazer de perguntar à caixa, uma bonita mulher de espessos cabelos negros e franja, que fica à esquerda da fila dos “perdigotantes”,   que teriam que colocar, pelo menos mais um Buffet para atender melhor aos clientes. Esta “moça”(?) olhou-me com cara de raiva e, com ironia, disse que eu teria que conversar “lá dentro” (sabe lá Deus onde fica o “lá dentro” dela).

    Bem, resumindo a “aventura”, ao sair paguei um valor diferente do habitual. Mais caro, logicamente, que nos dias de semana, apesar da comida, ambiente e funcionários serem os mesmos e, tenho certeza, os funcionários não recebem a MAIS para trabalharem, também, aos sábados. E me senti como se eles tivessem me feito um grande favor ao me venderem uma comida PERDIGOTADA, CARA e com atendimento que deixou  muito a desejar.
    Ou seja: FUI SOMENTE MAIS UM.

    Está bem Eloy!  Este restaurante realmente logo começará a perder clientes. Mas este é um restaurante pequeno, que pode ainda “dar uma parada” e realinhar suas práticas para manter seus clientes. Com empresas grandes isto já é mais difícil de acontecer.

    De novo, preclaro humano, creio que  você se engana. Isto pode ocorrer em MACRO empresa. pequenas, médias. Mais um exemplo?

    Fui quinta-feira fazer a “compra da semana” numa loja de uma rede de supermercados aqui em Foz.  Esta rede é uma grande empresa. Com milhares de funcionários espalhados por todo o Estado do Paraná. Com o desculpa (ou o objetivo?) de colaborar com o meio ambiente, na quinta-feira ela NÃO fornece sacolas plásticas para os clientes, NO ENTANTO VENDE SACOLAS  RETORNÁVEIS FEITAS DE ??? PLÁSTICO.  (Incongruência né?)
    Nas quintas-feiras eles fornecem “caixas de papelão” para os clientes levaram suas compras. Ou seja, vendem as benditas sacolas retornáveis ou então se livram do lixo (reciclável, é verdade)das caixas de papelão. Além de, logicamente, economizarem nas compras das “sacolinhas”.
    Pois bem.! Estava eu na fila do caixa, esperando minha vez de passar minhas compras, tão logo uma senhora (com óculos redondos, com carinha de avó que protege os netinhos) acabasse de passar as compras dela, quando, ela, (a senhora avozinha) notou que não havia “sacolas plásticas”. Pediu, gentilmente, com seu timbre de voz um tanto quanto cansado, se haveria alguém que a ajudasse a levar as compras até sua casa, distante uns 200 metros do mercado, ou então, que lhes dessem as sacolas plásticas que ela mesmo conseguiria levar.
    A caixa ( sei lá se instruída – ou mal instruída) disse-lhe, com um esgar de olhos e um sorriso irônico, que eles não contavam com este tipo de serviço e, se ela quisesse poderia comprar a sacola retornável. A senhorinha, meio que desacorçoada da vida, não sabia o que fazer. Mesmo que comprasse a dita sacola, ficaria pesado para ela, pois, se as compras fossem colocadas em diversas sacolas, ela poderia melhor distribuir o peso nas duas mãos e assim poder chegar em casa menos cansada. Resumindo  a prosa: Eu, ao ver a má vontade da caixa em atende-la, me coloquei à disposição para ajuda-la a levar comprar até a casa dela. Só não contava que ela morasse em sentido diametralmente contrário de onde moro. Ou seja, fui até a casa dela, voltei pelo mesmo caminho, passei em frente ao supermercado, de novo e, veja só, as caixas de papelão tinham acabado e eles estavam, então, distribuindo as benditas  sacolas plásticas. Pq não fizeram isto 30 minutos antes?  Daí então então peguei o caminho da minha casa. Também para esta rede de supermercado eu fui: APENAS MAIS UM.

    E assim segue a vida! Entre mulheres de cabelos espessos e franja, que te mandam conversar “lá dentro” e “sacolas plásticas” que me fazem andar o dobro do que gostaria eu FUI APENAS MAIS UM.

    Não importa então se a tua empresa é macro ou não. De uma forma ou de outra, treine a sua equipe para que NUNCA trate alguém como “MAIS UM”. Isto pode levar-te à falência.

    E você? Como tem tratado teu cliente? E teu colega de trabalho? Teu vizinho, professor, aluno? Pessoas da tua família? Como os tem tratado? Como devem ser tratados, com respeito, amor e dignidade ou também os tem pela vida a fora como apenas  MAIS UM NA TUA HISTÓRIA?

10 Responses to Fui apenas mais um…!

  1. Antonella Rovedo says:

    Só complementando.

    Acredito e muito que: Todos empresários deveriam passar por trinamentos antes mesmo de começar seu negócio, não adianta ter apenas boas ideias e negócio lucrativo é necessário entender que este sucesso depende dos clientes . Fazê-los entender que um dos sucessos de seu negócio seja ele qual for, depende do bom atendimento de seus funcionários, do bom senso , honestidade e acima de tudo amor pelo que faz é primordial para se manter na concorrência .

    • Eloy Souza says:

      Exatamente assim Antonella. Se tivéssemos melhores condições de preparar
      o empresariado, com certeza, não teríamos uma uma taxa exorbitante de
      encerramento de empresas durante seu primeiro ano de vida.
      TREINAMENTO é a palavra.
      Grato, novamente, pelo seu comentário.

  2. Antonella Rovedo says:

    Boa tarde Eloy.
    Tive o prazer de ler seu texto e devo dizer que é um dos melhores que li nos últimos dias.
    Você descreveu o que infelizmente faz parte de nosso cotidiano onde o bom senso, caráter, honestidade já são obsoletos para uma grande maioria.
    Acredito muito que as empresas, sejam elas pequenas , medias ou grandes as quais não dão ênfase ao atendimento e não priorizam o treinamento de seus funcionários se deve ao fato que a população em sua maioria é conformista. Isto certamente alavanca a ideia dos empresários medíocres de que se a maioria não reclama a coisa pode continuar muito bem assim , sem ter que investir ou se preocupar com o bem estar e satisfação de seus clientes. Pensamento mais que medíocre isto.
    Tive oportunidade de quando jovem trabalhar em um Banco onde na época éramos treinados mensalmente para bem atender os clientes e em outra ocasião trabalhei em Navios de Cruzeiro onde a ordem é: Seu cliente tem que sair 100% satisfeito em todos os quesitos. Hoje meu trabalho é o de preparar, treinar estas pessoas e me orgulho de saber que hoje tenho ex alunos embarcados que foram premiados pela grande qualidade de seus serviços em grandes companhias de Navegação. Um abraço

    • Eloy Souza says:

      Muito obrigado, Antonella, por sua leitura e comentário>
      Eu TAMBÉM já trabalhei com companhias de navegação e,
      grande parte do sei hoje, devo, e muito, as diversos
      amigos embarcados.
      Raramente, muito raramente, tive o desprazer de conviver
      com um embarcado MAL EDUCADO, ou de índole maléfica.
      Parte daquilo que prego hoje: Educação, respeito, fazer
      a “coisa certa”, eu aprendi com EXEMPLOS de embarcados.
      Novamente, muito obrigado!

  3. Sonia Salim says:

    Eloy, boa tarde! O comportamento do cliente é rejeitar o tratamento desse tipo e sair fora no momento que outra oportunidade surgir. Agora, o que observei é que você não foi “mais um” na história da senhora que não tinha como levar as compras em sacolas plásticas, mas único na maneira de ser e agir. Parabéns! Não é a primeira vez que venho aqui e percebo na sua forma de agir um toque realmente ‘humano’.
    Com toda certeza, no decorrer do tempo, esses estabelecimentos poderão perder muito.

    Abraços!

    Sonia Salim

    • Eloy Souza says:

      Grato, Sonia, por sua leitura e comentário.
      Realmente, eu não tinha observado ppor este ângulo.
      Para a “avozinha” eu não fui mesmio “SÓ MAIS UM”.
      É a dualidade da vida né? As vezes só vemos o que
      nos interessa. Grato, novamente!

      Abraços

  4. Borges says:

    Realmente Eloy,
    Tenho pena dos empresários que encerram suas empresas, sem ao menos saber onde falharam.
    Em uma palestra do Comandante Rolim, que assisti a muitos anos, em que também estava presente o saudoso técnico de futebol, Telê Santana, na época treinador do São Paulo, então patrocinado pela TAM, o mesmo comentou em seu discurso que o fato da equipe do SPFC ser Bi-mundial, não o dispensava de treinar em dois períodos. Muito mais difícil do que chegar ao topo, é se manter lá.
    O mal da maioria dos brasileiros, sejam Micro ou Macro empresários, é se acharem no topo. Pararem de dar treinamento para suas equipes, fazer eles entenderem que quem paga seus salários é o cliente, que o empresário apenas o repassa.
    Quando as equipes entenderem essa filosofia, todo cliente deixará de ser apena ” MAIS UM “!
    Abração e Parabéns pelo seu artigo.
    Oxalá o dono do restaurante de Foz do Iguaçu tenha acesso à ele !

    • Eloy Souza says:

      Muito obrigado por sua leitura e comentário. Acho que o dono do restaurante não vai lê-lo não.
      Está MUITO ocupado tentando “cortar” investimentos para incrementar o lucro.
      Novamente, muito obrigado!

  5. Neusa Joseli Picareli says:

    Nossa Prof. Eloy… você me fez ver em suas palavras… Realmente já passei por situações tão bem descritas aqui nesse artigo! Comidas PERDIGOTADAS, mau atendimento de funcionários…. Tons irônicos ao me responderem… Espero que esse seu artigo atinja todos os “EMPRESÁRIOS” para que nós BRASILEIROS tenhamos o destino de não sermos MAIS UM na história de suas empresa…
    Belo artigo! Parabéns!

    • Eloy Souza says:

      Muitíssimo obrigado por sua leitura e comentário>
      Um dia aprenderemos sim como fazer da nossa competência
      os benefícios a serem gerados para a comunidade.
      Novamente, muito obrigado!

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